Diabetes Mellitus: Entenda o Diagnóstico e Riscos

3/3/20263 min read

Você sabia que o corpo pode levar anos dando sinais antes do diagnóstico definitivo?

O Diabetes não é uma doença silenciosa por acaso.

Muitos acreditam que o diabetes é causado "só" pelo consumo excessivo de doces, mas a realidade é mais profunda e complexa: trata-se de como o seu organismo gerencia a energia que vem do alimento.

O que define o Diabetes Mellitus?

Para a medicina, o diagnóstico é pautado principalmente pela glicemia (nível de açúcar no sangue). O principal marcador é a Glicose em Jejum ou a Hemoglobina Glicada (HbA1c), esta última mostra a média do seu açúcar nos últimos 3 meses e fornece valores mais estáveis para o acompanhamento.

Normal:

  • Glicose em jejum abaixo de 100 mg/dL

  • Hemoglobina glicada abaixo de 5,7%

Pré-diabetes:

  • Glicose em jejum entre 100-125 mg/dL

  • Hemoglobina glicada entre 5,7-6,4%

Diabetes:

  • Glicose em jejum acima de 125 mg/dL

  • Hemoglobina glicada igual ou superior a 6,5%

OBS: Na gestação os valores para diagnóstico são diferentes.

Quantos diabetes existem?

Embora essa seja uma pergunta muito frequente, a identificação do tipo exato nem sempre é possível no primeiro encontro, pois o diabetes se manifesta de várias formas:

  • Diabetes 1: Doença autoimune onde o corpo ataca as células que produzem insulina.

  • Diabetes 2: O tipo mais comum (90% dos casos). Relacionado à resistência à insulina, frequentemente associado ao excesso de peso e genética.

  • Diabetes MODY (Diabetes de início na Maturidade em Jovens): Uma forma genética rara que costuma afetar jovens e tem forte herança familiar direta.

  • Diabetes LADA (Diabetes Autoimune Latente do Adulto): Uma forma de diabetes autoimune que surge na idade adulta, muitas vezes confundida inicialmente com o Tipo 2.

  • Diabetes gestacional: Alteração da glicemia detectada pela primeira vez durante a gravidez.

  • Diabetes medicamentoso: Causado pelo uso de certas substâncias, como corticoides em doses elevadas, imunossupressores, ...

Assim como o IMC na obesidade, a glicemia é um ponto de partida. Avaliamos também a resistência insulínica, o histórico familiar e o risco cardiovascular total.

Além dos tipos clássicos, temos o Pré-Diabetes, um estágio de alerta onde o metabolismo já está falhando, mas ainda há tempo de reverter o processo!

E o tratamento?

Hoje, para o diabetes não há cura, mas existe tratamento!

O diabetes é uma condição crônica, mas perfeitamente controlável.

Hoje, o foco não é apenas "baixar o açúcar", mas proteger órgãos. O uso de medicamentos ou insulina é uma tecnologia de suporte, não um sinal de fracasso. Contudo, o remédio não opera milagres sozinho; o sucesso depende de uma construção conjunta:

  • Monitoramento para conhecer suas glicemias;

  • Ajuste Alimentar;

  • Exercício Físico;

  • Manejo do Estresse;

  • Equipe Multidisciplinar: Endocrinologista, nutricionista e, muitas vezes, suporte psicológico.

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Vamos tratar melhor este seu diabetes?

Conhecer o seu diabetes e as melhores terapias (medicamentosas ou não) é fundamental para atingirmos um bom controle e bem-estar a longo prazo.

Por que tratar?

Quem tem diabetes pode até não ter sintomas por vários anos, afinal a doença é silenciosa, entretanto silencioso não quer dizer inocente ou bondoso. O diabetes não tratado é como uma "corrosão" silenciosa nos vasos sanguíneos e nervos. O excesso de glicose no sangue (hiperglicemia nos termos médicos) gera um estado inflamatório que pode levar a acometimento de outros sítios:

  • Olhos: Risco de perda progressiva da visão (Retinopatia).

  • Rins: Comprometimento da filtragem do sangue (Nefropatia).

  • Nervos: Perda de sensibilidade em membros, o que aumenta o risco de feridas imperceptíveis (Neuropatia).

  • Cicatrização: Dificuldade de reparo tecidual e maior risco de infecções graves.

  • Coração e Cérebro: Risco de Infarto e AVC aumentado em até 4 vezes.